Alberto Caeiro



Mapa astral de Alberto Caeiro – feito por Fernando Pessoa.




Alberto Caeiro nasceu em Lisboa, em 1889, e morreu em 1915 com tuberculose. Viveu quase toda a sua vida no campo. Seus pais morreram cedo, por isso viveu com uma tia-avó através de pequenos rendimentos, ficando muito em casa. Não teve profissão, e pouca educação — só instrução primária. Caeiro tinha estatura média, era louro quase sem cor, com olhos azuis e cara rapada considerado pessoa frágil. O então denominado por Fernando Pessoa como o mestre de todos - ‘O Mestre Ingênuo’ - era o heterônimo que seu criador mais gostava e admirava. Pois, com estilo direto e simples, mas de compreensão complexa, Caeiro fazia reflexões profundas em seus escritos. Uma de suas obras mais conhecidas é “O Guardador de Rebanhos”.

O GUARDADOR DE REBANHOS II

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...  

 (PESSOA, Poemas Completos de Alberto Caeiro , 2013.)
  


Dentre muitas características, destacam-se: a importância dos sentidos, nomeadamente a visão; o incomodo de pensar associado à tristeza; o não querer pensar, mas não conseguir evitar; o escrever intuitivamente; a visão de a natureza ser para usufruir, e não para pensar; o desejo de despersonificação (de fusão com a natureza); ser um poeta bucólico, do real e do objetivo; a valorização das sensações; o amor à vida e à natureza; a preocupação apenas com o presente; e por fim, a crítica ao subjetivismo sentimentalista.

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